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Roberto Curi

Depoimento de
Roberto Curi

Dono da única loja de pneus que segue ativa desde a inauguração de Brasília, em 1960, Roberto Curi criou seu império fortalecido por uma família dedicada e unida. Ao lado da esposa, Yara Curi, construiu uma trajetória de sucesso, marcada por conquistas que ultrapassaram a fronteira do DF, com inaugurações de lojas de pneus e automóveis em outros estados brasileiros.

Nascido em 7 de outubro de 1932, em São Paulo, Curi teve uma infância modesta, em que a palavra de ordem era educação. De origem libanesa, costuma dizer que nasceu vendedor. A vida profissional começou aos 18 anos, quando pegava papel jornal nas repartições e depois vendia para açougues. A reviravolta veio quando seu trabalho como representante comercial de marcas como a Nestlé, e posteriormente Goodyear, o fizeram percorrer o Brasil, especialmente um canto que andava um pouco esquecido no mapa: Goiás e Triângulo Mineiro. Foram nessas andanças que o jovem ouviu falar de Brasília pela primeira vez. “Eu estava em Anápolis quando chegaram os primeiros topógrafos para fazer o levantamento da área”, lembra.

À frente da Goodyear para vender pneus na região, viu no mercado local um ótimo campo e decidiu mudar-se de vez em 1962. A oportunidade de dar início ao seu próprio negócio surgiu alguns anos depois, com a fundação da Curinga dos Pneus, em junho de 1967. Com a oferta de venda de pneus e de serviços de montagem e balanceamento, a abertura se deu em um prédio alugado na 503 Sul, propriedade de Euclides Aranha Neto, filho do emblemático diplomata Osvaldo Aranha. O negócio expandiu rapidamente e a marca de pneus mais conhecida dos brasilienses chegou a ter 51 filiais em vários estados brasileiros, como Goiás, Maranhão, Minas Gerais e Pará.

Quando chegou em Brasília, Curi não tinha a noção dos contornos que a nova capital ganharia. “Não tínhamos essa concepção. A vida naquela época era bem diferente do que é hoje. Não tinha tanta comunicação, as pessoas eram pouco informadas. Se via todo o movimento, a poeira, caminhões transitando para cima e para baixo. A velocidade era muito maior do que geralmente é em uma construção. E nós participávamos desse movimento, porque meu negócio era chegar, vender o máximo que pudesse, para voltar e entregar”, relembra o paulistano que tem como uma forte memória daquele período sua presença na primeira missa realizada em Brasília, no dia 3 de maio de 1957, no Cruzeiro, ao lado do também empresário José Abdala. “Viemos assistir à missa no primeiro dia. Depois, eu comecei a vir aqui todo mês vendendo pneu para as frotas todas, que consumiam muito”.

Ao lado dos pioneiros que trabalharam na construção de Brasília, Curi viu na criação da nova capital uma oportunidade de melhorar de vida. Ao relembrar dos tempos difíceis de desconforto e incertezas, não esquece dos candangos, pessoas valiosas que se sacrificaram para poder concretizar os planos de Juscelino Kubitschek. Admirador da trajetória do ex-presidente, Roberto Curi acredita que Juscelino era uma pessoa predestinada. “JK já veio com a missão especial de fazer o que fez. Brasília não é a capital do país, Brasília é o centro de desenvolvimento do país, é muito mais do que uma capital. O Brasil todo está crescendo às custas de Brasília. A indústria em São Paulo cresceu porque todo o Centro-Oeste cresceu muito e em consequência disso o resto também cresceu”, analisa Curi.

O empresário soube aproveitar muito bem a evidência que Brasília teve para o mercado nacional. Ao solidificar a Curinga dos Pneus, fidelizou clientes que procuram pelos serviços da empresa há mais de 50 anos. Mas de lá pra cá, muita coisa mudou. Para se adaptar às mudanças no mercado, a cartela de serviços da marca ganhou mais opções. “A concorrência no passado não era tão nociva como é hoje. O ramo mudou demais, a indústria passou a vender diretamente para as grandes frotas e isso tirou muitos dos nossos clientes”, reflete o empresário, um especialista em analisar variações e buscar soluções.

Para quem quer dar os primeiros passos no ramo empresarial, Roberto Curi sugere cautela e organização. “A empresa é como se fosse um filho que você está criando. É bem interessante isso, porque você vê a história desde o início, as etapas são totalmente diferentes, os dias não são iguais. Você vai trabalhando, acontece de tudo, você vai ter que saber administrar o que é possível e o que não é”, aponta o administrador dono de um desejo oculto que caminha bem distante dos pneus e veículos por onde circula diariamente. “Eu acho que se eu fosse bem mais novo e tivesse que fazer alguma coisa diferente, eu ia estudar para montar uma vinícola. Eu gosto de vinho, acho linda uma vinícola, mas fica para uma outra encarnação”, diverte-se o empresário, que sabe muito bem o valor que um sonho tem.