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Paulo Octávio

Depoimento de
Paulo Octávio

Paulo Octávio não se considera um pioneiro de fato. Prefere atribuir o título aos pais, Cléo Octávio e Vilma Pereira, que deixaram uma vida confortável em Lavras, no sul de Minas Gerais, rumo à nova capital federal. Mas ao percorrer as ruas e avenidas do Plano Piloto e do Entorno, não há como não observar a extensa contribuição do empresário mineiro na construção civil da cidade e não conferir a ele o mérito de pioneiro. A afeição de Paulo por Brasília começou ainda pequeno, por volta dos 8 anos de idade, ao admirar os recortes de jornal que o pai colecionava com novidades sobre a nova capital. A primeira missa, a primeira avenida, tudo era motivo de curiosidade e encantamento por parte de Cléo, que nessa época já era um dentista renomado em Lavras, quando decidiu se instalar de mala e cuia em solo brasiliense, em 1962.

Com 12 anos de idade, Paulo Octávio quase não acreditou no que viu quando o carro da família cruzou os limites que circundam o Distrito Federal: era julho, o céu estava esplendoroso como de costume, e o jovem rapaz se impressionou com a imensidão de horizonte que sua nova terra apresentava aos seus olhos miúdos.

Enquanto o pai consolidava sua cartela de clientes em seu consultório odontológico instalado no Edifício JK, no Setor Comercial Sul, Paulo crescia por entre os prédios da 106 Sul, com os colegas que tinham uma trajetória semelhante: pais que haviam sido transferidos de suas funções em outros estados ou que estavam na capital para tentar a sorte. Aluno do colégio Caseb, na Asa Sul, logo Paulo se inquietou e aos 15 anos deu seus primeiros passos rumo às vendas. Começou vendendo GBOEX, um pecúlio militar do Grêmio de Oficiais do Exército que estava sendo oferecido por um vizinho. Seus clientes eram os amigos dos seus pais e os professores da escola. “Quando eu não tinha aula, pegava minha pastinha e ia aos consultórios de médicos, dentistas e advogados que eram amigos do meu pai e assim fui aprendendo um pouco a arte de vender”, lembra Paulo, que aos 69 anos de idade orgulha-se de trabalhar há 54 anos, sem pretensão alguma de aposentar.

Estudante de Economia na Universidade de Brasília (UnB), e posteriormente de Direito no Centro Universitário de Brasília (UniCeub), Paulo Octávio seguiu sua carreira como vendedor de seguros e foi para a Bolsa de Valores. Mas descobriu sua verdadeira vocação no ramo imobiliário. Após se destacar no lançamento de imóveis para outras empresas, decidiu abrir seu próprio empreendimento, a Paulo Octávio Investimentos Imobiliários, fundada em 1975, quando Paulo tinha apenas 25 anos de idade.

Foi quando a vida do empresário deu uma guinada. Com apenas quatro funcionários, abriu seu escritório na Asa Norte, região que começava a dar os primeiros passos e já fazia brilhar os olhos de Paulo, tornando o bairro um dos seus maiores mercados de construção e venda. “Fomos pioneiros em Taguatinga, Ceilândia, Gama, Sobradinho e fizemos lançamentos em quase todas as cidades do DF. Lançamos o primeiro apart hotel de Brasília, apresentamos novas ideias para o mercado imobiliário e tínhamos o apoio de muitas empresas e construtoras, que gostavam de comercializar seus produtos pela Paulo Octávio”, recorda-se o empresário.

Visionário, Paulo acreditou em endereços até então desertos e inexplorados para dar seguimento ao projeto de construção da capital de Juscelino Kubitschek. “Eu digo sempre que Brasília é a maior epopéia do século passado. Não existe no Brasil uma história de tanto orgulho ao povo brasileiro como foi Brasília. As pessoas vieram com desprendimento, com vontade de trabalhar, com vontade de ajudar. Então, o começo, principalmente daqueles pioneiros que chegaram aqui ainda na construção, é muito bonito. Foi um momento muito rico da história política, social e do desenvolvimento do Brasil”, relembra o empresário, que trouxe para si uma característica marcante de JK, de ser um homem com metas a traçar e principalmente a cumprir.

“Sempre fui inspirado por metas na vida. Metas de trabalho, metas na empresa, metas na política e acho que isso que deve ser uma inspiração para todos os empresários”, reitera o empresário que aventurou-se na política incentivado pelo amigo Joaquim Roriz, chegando a ocupar o posto de deputado federal por duas vezes, de senador, vice-governador, e teve uma atuação marcante para a vinda dos Jogos Olímpicos para Brasília em 2000, criando uma campanha grandiosa que resultou em um legado importante para o esporte brasileiro.

A trajetória política de Paulo Octávio deu a ele uma experiência até então inédita: o corpo a corpo com os cidadãos do Distrito Federal. “Eu conheci o DF todo. Cada dia estava em um lugar diferente, conversando, almoçando com pessoas que eu nunca tinha visto, conhecendo gente nova, anotando os problemas das pessoas mais carentes. Foi bastante enriquecedor, mudou meu jeito de ser. Aprendi na política a ter humildade, a ver que as questões que às vezes achamos importantes na vida empresarial são pequenas perto de tantas outras questões que as pessoas vivem. Então, você passa a viver e a sentir outro mundo”, emociona-se Paulo ao se reafirmar como um homem otimista que crê com paixão no futuro de Brasília e do Brasil.

“O que me move é acreditar nesse potencial de oportunidades que só o Brasil oferece. Acreditar que haverá pessoas com poder aquisitivo, com renda e essas cidades merecem desenvolvimento. Quando você faz um empreendimento em uma cidade fora do Plano Piloto, você leva desenvolvimento, leva riquezas, constrói moradias”, reitera.

De uma construtora que acumula números impressionantes, com mais de 4 milhões de m² construídos, 52 mil imóveis entregues, 717 obras edificadas e geração de 21,5 mil empregos diretos, terceirizados e indiretos, a marca que leva o nome do empresário tornou-se um grupo que atualmente abriga 20 empresas das mais diversas áreas, como concessionárias de veículos, rádios AM e FM, hotéis, shoppings, canal de televisão e corretora de seguros. Durante esses 44 anos de Paulo Octávio pessoa jurídica foram mais de 50 mil carteiras de trabalho assinadas, o que já gerou ao grupo o reconhecimento pela Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra) como o maior empregador da região. “Sempre digo: o Pelé fez mil gols, o Romário fez mil gols. Quero ver se viverei para chegar ao empreendimento número mil”, celebra o empresário, que dá a JK o mérito de principal empresário que já pisou em terras brasilienses.

“Quando se fala em empreendedorismo em Brasília, sempre ressalto que o maior empreendedor que o Brasil teve foi JK, porque foi o homem que ao ser presidente soube desenvolver o Brasil de uma forma extraordinária, em todos os setores. Um homem que desenvolveu a Amazônia com o Sudam, o Nordeste com o Sudene. Fez mais rodovias e ferrovias que qualquer outro presidente”, enumera Paulo Octávio, que tem como uma honra ser pai dos primeiros Kubitscheks nascidos em Brasília. Casado com Anna Christina, neta de Juscelino e filha da Márcia Kubitschek, Paulo é vice-presidente do Memorial JK onde atua com a esposa para preservar a memória e o legado de Juscelino.

Pai de quatro filhos, sendo dois com Anna Christina, Paulo Octávio costuma afirmar que ao se casar assumiu também uma responsabilidade com Brasília. “Uma responsabilidade de fazer com que a cidade cresça, se desenvolva. Que aqueles predicados que Brasília teve, como boa educação, boa saúde, que já tivemos, não se percam. Os planos de Brasília, a UnB, o traçado arquitetônico, a cidade tombada, tudo isso seja mantido e respeitado. Não podemos desrespeitar os conceitos dos fundadores, criadores, artistas, que fizeram essa cidade. Pelo contrário, precisamos cultuá-los para que eles possam ser lembrados para sempre. Daqui a mil anos, essa epopéia da construção de Brasília, todos os figurantes que participaram dessa epopéia – alguns com mais intensidade, outros com menos intensidade –  todos serão reverenciados. Não é uma história que será esquecida”, aposta o visionário mineiro, certo de que o vasto horizonte que o encantou aos 12 anos quando pisou em Brasília pela primeira vez seguirá movendo paixões e histórias, como a construída por ele nos últimos 57 anos.