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Geraldo Vasconcelos

Depoimento de
Geraldo Vasconcelos

Quando Brasília completou 40 anos, em 21 de abril de 2000, Geraldo Vasconcelos publicou uma poesia em sua homenagem. Nos versos, narra como foi bem recebido com a família, fala de quando conheceu o presidente médico e de uma história de amor que jamais terá fim. Vinte anos se passaram, mas o poema segue emocionando Geraldo, que não consegue declamar essas linhas sem se lembrar de toda trajetória que o trouxe para o centro do poder político do país.

Cearense de Tianguá, Geraldo Vasconcelos nasceu em 18 de novembro de 1933. Criado com oito irmãos, mudou-se para Parnaíba, no Piauí, ainda na infância, onde trabalhou como office boy. Em busca de outras perspectivas, optou pela vida no Rio de Janeiro onde tinha um escritório de representação e se casou com Maria em 30 de julho de 1955. Em 1959, empreendeu nessa aventura chamada Brasília motivado pelas constantes conversas que apontavam a nova capital como uma promessa.

Comunicativo e bem humorado, viajou para Brasília e na estrada que ligava Goiânia à capital cruzou com um loteamento onde, coincidentemente, esbarrou com um irmão, que não via há anos e que logo tratou de apresentar a região para ele. Encantado com a possibilidade de adquirir um posto de gasolina onde hoje está Alexânia – na época chamado de Nova Flórida – Geraldo voltou para o Rio de Janeiro e conheceu João, um maître do Copacabana Palace que também estava interessado em partir para Brasília e que o ajudou com as compras de todos os materiais necessários para abertura do negócio. Inicialmente um ponto que só funcionava até as 23h, logo Geraldo precisou se adaptar à rotina das estradas e passou a não fechar mais.

Com o Posto do Geraldo, onde atuava como restaurante, bar e posto de gasolina, o cearense passou quatro anos dando as boas-vindas àqueles que chegavam em Brasília. Em determinado momento recebeu inclusive Juscelino Kubitschek e sua comitiva, cerca de 66 pessoas, que comeram um frango com quiabo especialmente preparado para o presidente. “O Juscelino é uma unanimidade nacional. Ele foi, sobretudo, esperança”, admira o empresário, que trabalhava mais na porta do seu estabelecimento, recepcionando as pessoas que chegavam. “Um dia decretei que o cafezinho não seria mais pago, seria de graça e um americano falou ‘de graça?’ você sabe que em 10 anos você teria milhões, né?’ e eu disse a ele que teria milhões, mas não teria amigos”, confidencia.

Um dia, já cansado da rotina praticamente ininterrupta, Geraldo Vasconcelos recebeu uma proposta inesperada de um cliente que tinha o sonho de comprar seu posto de gasolina. Geraldo vendeu na hora. O rapaz não tinha dinheiro suficiente para pagar o valor desejado pelo cearense, mas tinha muitos imóveis. Testemunha ocular da história, Geraldo comprou uma gráfica na qual chegou a ter 400 funcionários, abriu um jornal, o Diário de Brasília, e consagrou-se um empresário de sucesso com a Aguiar de Vasconcelos Imóveis, empresa tão bem relacionada entre os clientes, que surfa no ótimo boca a boca que tem para manter a clientela fiel. “Eu tenho muito orgulho da situação na qual  me encontro hoje como empresário, trabalhando com gente. Diariamente entram aqui no meu escritório dezenas de pessoas. Uns vêm só me cumprimentar”, emociona-se.

Geraldo Vasconcelos tem a curiosa fama de ter conquistado 10 mil amigos. Antes do advento do WhatsApp, costumava ligar diariamente para os amigos aniversariantes do dia. Agora, economiza tempo enviando mensagens, mas ainda assim não deixa passar batida nenhuma data. “Eu digo sempre para os meus filhos que geralmente velho é rabugento, é nervoso, não está satisfeito com nada. Eu sou o contrário, eu sou velho e feliz. Eu sou feliz com tudo, com dinheiro, sem dinheiro”, diverte-se o empresário que conta não ter sido difícil acumular tantas amizades recepcionando aqueles que chegavam a Brasília entre 1959 e 1963.

Presidente da Companhia dos Cearenses, um grupo formado por conterrâneos, Geraldo tem orgulho de sua terra e de ter vencido na nova capital da República. “Eu não tinha muita dificuldade. Para quem vem lá do Nordeste, com a dificuldade que tem lá, eu estava no céu. Eu tinha um restaurante próprio, comia o que eu queria. Tenho muito orgulho de ser pioneiro, eu vim mesmo na raça e sem expectativa, mas eu sempre confiei no meu trabalho, nas minhas coisas”, avalia o amoroso empresário, que tem na paixão à Brasília e à sua família algumas de suas características mais marcantes.