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Alberto Fernandes

(In Memoriam)

Depoimento de
Alberto Fernandes

Desde pequeno, Alberto Fernandes tinha uma vontade enorme de conquistar o mundo. Homem de muitos amigos, o empresário do ramo imobiliário saiu de São João dos Patos, interior do Maranhão, e conseguiu dar o rumo que sempre sonhou à sua história. Nascido em 15 de novembro 1931, Alberto Fernandes deixou sua terra ainda na adolescência para se aventurar em um garimpo de cristais em Xambioá, Goiás, ao lado de um tio. Nesse garimpo, Alberto contraiu malária e, recuperado da doença, achou melhor buscar novos ares. Comprou todas as peças de um revendedor de joias da cidade e seguiu para Marabá, no interior do Pará. De lá, fez uma peregrinação durante sete meses por Belém (PA), Guarajá-Mirim (RO), Porto Velho (RO), Rio Branco (AC) e Nova Olinda do Norte (AM). Percorreu o norte do país vendendo suas peças e, em 1959, convidado pelo mesmo tio que havia deixado o garimpo para morar em Brasília, decidiu passar uns dias na nova capital antes de seguir viagem. Mas logo o jovem desbravador mudaria de ideia e escolheria a cidade como seu lar definitivo.

Em 1960, já na Cidade Livre, Alberto Fernandes abriu uma joalheria, mas logo seu primeiro negócio em solo brasiliense seria vencido pelo acaso. Como as estruturas das casas e comércios da região eram todas de madeira, a loja de Alberto pegou fogo e ele perdeu 70% das mercadorias. Sua sorte foi ter uma ótima relação com seus fornecedores por ter sido sempre um bom pagador. Com crédito na praça, se restabeleceu e abriu a Sônia, primeira ótica e joalheria de Brasília, na Rua da Igrejinha (108 Sul). Alguns anos depois, as inconstâncias econômicas pesaram e Alberto precisou mudar de foco. Decidiu, portanto, voltar suas energias para a criação de uma fábrica de embalagens de papel, a Embalagens Brasileiras S.A, fundada no SIA. Em 1972, devido à crise da celulose, Alberto retirou-se do negócio e repentinamente descobriu que o terreno que abrigava a fábrica tinha sido valorizado. Com a venda do espaço, teve capital suficiente para investir em outros imóveis. Para dar conta da burocracia, tratou de abrir uma imobiliária e foi assim, como um golpe do destino, que o jovem empresário fez do limão uma limonada e inaugurou, em 1981, a Beiramar Imóveis.

Fundada ao lado da esposa e braço direito Marimir Colares Fernandes, a Beiramar Imóveis ganhou esse nome graças à sugestão de um amigo corretor de Alberto, que disse a ele que para Brasília ser perfeita só precisava ter um mar. Durante todos esses anos a empresa foi pavimentada no mercado ao disponibilizar empreendimentos em praticamente todo o Distrito Federal, beneficiando mais de 120 mil pessoas durante sua história. Uma marca familiar, a Beiramar tem como sócios os dois filhos de Alberto e Marimir, Pedro e Paulo Fernandes, figuras-chave na consolidação da empresa por todo o cuidado que ambos têm com o legado do pai e sua relevância para a capital. “Ele deixou uma marca desde muito pequeno em todos nós. Uma marca de integridade, de caráter, de não abrir mão dos valores, não importa o objetivo que seja. Os exemplos dele fizeram com que seguíssemos essa trajetória e que nos forjasse a sermos quem somos” pontua Pedro Colares, o primogênito de Alberto.

O irmão Paulo lembra, ainda, que o pai sempre foi muito cuidadoso com a forma escolhida para passar o seu caráter aos filhos. “Seu sucesso, seu empreendedorismo… A forma com que ele fez isso foi deixando clara sua história vivida para ele chegar até aqui. E o quão difícil foi, o quanto seria difícil dali para a frente também, o quão importante ter resiliência para fazer com que aquele legado que estávamos recebendo fosse à frente”, observa.

O contato dos filhos com o mundo dos negócios foi cedo. Quando o mais velho tinha 12 anos e o mais novo 8, Alberto comunicou que havia os colocado na sociedade da empresa. Todo fim de semana a dupla era requisitada para panfletar ao lado da mãe ou mostrar imóveis aos possíveis compradores com o pai. Durante as férias escolares, deixavam as brincadeiras de lado e, à revelia, passavam parte do período na empresa. Quando eles pediam para ir para casa brincar, ouviam do pai: “Um dia vocês vão me agradecer”. “E realmente hoje somos muito gratos por ele ter colocado isso no nosso coração. Temos prazer em dar continuidade a um negócio fundado por ele e conduzido por nossa mãe”, emociona-se o caçula.  Dos conselhos passados pelo pai no decorrer da vida, um em especial toca mais profundamente o coração de Paulo Fernandes. “Não permitir que o desejo por expandir, por crescer, ultrapasse as relações humanas, as relações de confiança”, destaca o jovem empresário.

A boa relação de Alberto Fernandes com os pioneiros e outras pessoas com quem se relacionou no decorrer dos anos deu a ele a fama de uma pessoa de ótima convivência, alguém sempre disposto a ajudar o próximo. Filho de Pedro Fernandes de Sousa e Jardilina Barbosa de Sousa, o maranhense recebeu em 2014 a maior das honrarias, o título de Cidadão Honorário de Brasília. “Estou emocionado por receber esta homenagem porque sei que ela é uma espécie de reconhecimento da minha contribuição e dedicação à Brasília”, revelou em entrevista ao Jornal de Brasília, à época. Um homem de palavra, Alberto nos anos iniciais de Beiramar fazia acordos sem precisar assinar contratos, porque sempre honrou o que disse. Participou ativamente de associações ligadas ao ramo imobiliário e tudo mais que envolvesse a sociedade em geral, sendo uma figurinha carimbada em reuniões nas administrações regionais discutindo melhorias para as regiões, sempre atento ao desenvolvimento sadio do Distrito Federal.

Envaidecido por ser mais um pioneiro que conseguiu vencer na capital, Alberto tem por Juscelino Kubistchek um enorme fascínio, considerando o político o principal presidente que o Brasil já teve, um grande estadista. Pedro Fernandes se recorda com clareza dos conselhos que recebeu a partir da saga de Juscelino. “Meu filho, Juscelino fez 50 anos em 5, construiu uma cidade, a capital do Brasil, em 5 anos. É nisso que a gente tem que se inspirar, é nessa vontade, é nessa história, nesse sonho de Juscelino”,  relembra, ao falar ainda que o pai sempre se inspirou na forma com a qual Juscelino tinha facilidade em se relacionar com as pessoas. Do pioneirismo, Paulo enche a boca para falar do orgulho que sente do pai. “Ser filho de um pioneiro é um grande orgulho, mas principalmente de um pioneiro que é uma pessoa tão carismática, tão querida e tão reconhecida como uma pessoa que foi importante no desenvolvimento da cidade de forma humana. Mais do que um pioneiro que contribuiu para, sim, colocar mais de 120 mil pessoas nos seus novos imóveis, morando, criando desenvolvimento, olhando para instituições, mas como um pioneiro que sempre teve um olhar humano e individual, para as pessoas na cidade que ele quis ajudar”, enumera.

Para a família Fernandes, o segredo do sucesso está na cumplicidade de que tudo foi construído conjuntamente. É pensar que onde um está, toda a família está. Na visão de Pedro, o desafio de empreender percorre a burocracia e a insegurança jurídica, mas atualmente aparece com mais força diante da velocidade com o que mundo avança, com novas formas de consumo e interação surgindo a cada minuto. “Acreditamos que qualquer empreendimento torna-se um empreendimento de sucesso quando o cliente passa a estar no centro do negócio e quando o cliente vê aquela organização como uma organização vital para o mundo de hoje. É possível construir uma organização com quase 40 anos de história, que emprega centenas de pessoas e que já ajudou mais de 120 mil pessoas a achar um lugar para morar”, comemora o empresário que, seguindo os passos dos pais, sabe como ninguém a importância das relações humanas, para além dos objetivos monetários.